O Irã vive um cenário de grave instabilidade social com a confirmação de 192 mortes decorrentes da repressão aos protestos que completam duas semanas.
O levantamento, realizado por organizações de monitoramento internacional, indica que os atos se espalharam por pelo menos 27 províncias, desafiando as forças de segurança e o controle estatal sobre as vias públicas.
Imagens que conseguiram burlar o bloqueio digital mostram confrontos diretos, barricadas em chamas e o uso de munição letal por parte dos agentes do estado.
O que começou como uma reivindicação econômica transformou-se no maior desafio à autoridade do regime nos últimos anos, mobilizando diferentes setores da sociedade iraniana.
Para conter a disseminação dos atos, o governo implementou um “apagão” na internet e nas redes de telefonia móvel, isolando o país digitalmente.
A medida visa impedir a organização dos manifestantes e o envio de provas visuais da violência para a comunidade internacional, tornando a apuração do número exato de feridos e detidos uma tarefa complexa.
Apesar do cerco informativo, denúncias de execuções sumárias e prisões em massa continuam a emergir.
Organizações humanitárias alertam para o risco de sentenças de morte serem aplicadas a detidos classificados como “inimigos de Deus” pelo judiciário local, uma acusação grave utilizada em períodos de turbulência política.
As autoridades de Teerã adotaram um discurso de tolerância zero, atribuindo a culpa da crise a uma suposta guerra híbrida orquestrada por nações rivais. O exército iraniano afirmou estar preparado para enfrentar qualquer ameaça, interna ou externa, sinalizando que a repressão deve continuar de forma vigorosa.
A crise interna ganhou contornos geopolíticos com a troca de acusações entre o Irã e governos ocidentais. Enquanto líderes estrangeiros condenam a violência contra civis e oferecem suporte moral aos manifestantes, o regime iraniano promete retaliar militarmente caso perceba movimentações que ameacem sua soberania territorial.
