Relatos da equipe médica responsável pelo tratamento de Isabel Veloso trouxeram à tona aspectos técnicos e humanos sobre o falecimento da influenciadora, ocorrido no dia 10 de janeiro.
O cirurgião oncológico Bruno Bereza, integrante do corpo clínico que assistia a paciente, descreveu o cenário na Unidade de Terapia Intensiva pouco antes da confirmação do óbito.
A jovem de 19 anos enfrentava complicações severas após a realização de um transplante de medula óssea. De acordo com o profissional, o monitoramento final indicou que a paciente estava sedada e com feição tranquila, sem demonstrar sinais visíveis de dor.
A avaliação clínica realizada minutos antes do falecimento apontava para parâmetros momentaneamente estáveis, embora o quadro geral fosse de extrema gravidade devido à agressividade da doença e às intercorrências pós-cirúrgicas enfrentadas nas últimas semanas.
O momento da constatação da morte exigiu a aplicação de protocolos sensíveis para a comunicação com a família. O médico relatou ter conversado diretamente com o pai e o esposo de Isabel, preparando-os emocionalmente antes de confirmar a notícia fatal.
O relato aponta que a reação dos familiares, embora de profundo pesar, foi permeada por um clima de serenidade e compreensão diante da inevitabilidade do quadro.
O especialista relembrou também as consultas antecedentes à viagem para Curitiba, onde o tratamento foi intensificado.
Nessas ocasiões, foram debatidos os medos e as esperanças do casal, estabelecendo um vínculo de confiança entre médico e paciente. Essas conversas preparatórias serviram para alinhar as expectativas reais sobre as chances de sucesso dos procedimentos invasivos que seriam realizados.
Isabel Veloso foi diagnosticada com Linfoma de Hodgkin em 2021 e ganhou notoriedade ao compartilhar sua rotina de cuidados paliativos e, posteriormente, a tentativa de tratamentos curativos.
O Hospital Erasto Gaertner, onde ocorreu o óbito, emitiu comunicado oficial reforçando que todo o suporte técnico possível foi oferecido, mas que a condição evoluiu para uma falência orgânica irreversível.
O caso gerou comoção nacional e levantou debates sobre o tratamento oncológico em jovens adultos.
O depoimento do médico encerrou-se com uma reflexão estritamente profissional sobre a conduta da paciente, destacando sua cooperação e a força de vontade demonstrada durante as diversas fases do tratamento, desde o diagnóstico inicial até os procedimentos de alta complexidade finais.
