Nos últimos dias, a política brasileira passou por uma reviravolta inesperada, envolvendo as duas mais recentes primeiras-damas do país. Durante um evento preparatório para a COP30, realizado em Manaus, Janja da Silva fez uma declaração que ecoou como uma provocação direcionada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Ao afirmar que “não xinga o marido de ninguém”, Janja não apenas capturou a atenção da plateia, mas também acentuou a crescente tensão entre as duas figuras, cujos discursos agora ultrapassam o âmbito pessoal e reverberam na esfera política nacional.
A provocação de Janja surgiu pouco tempo após Michelle Bolsonaro ter externado críticas contundentes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “mentiroso, cachaceiro e irresponsável” em um evento do PL Mulher em Brasília.
Michelle não hesitou em atribuir ao governo atual a culpa por tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, insinuando que a administração de Lula estaria criando conflitos diplomáticos para desviar a responsabilidade das dificuldades econômicas enfrentadas durante o governo Bolsonaro.
Em sua fala, a ex-primeira-dama utilizou metáforas contundentes, referindo-se a um vídeo em que Lula oferece jabuticabas ao ex-presidente americano Donald Trump, e afirmando que “agora estamos colhendo abacaxis”.
Esse tipo de retórica é uma estratégia clara para manter viva a narrativa de perseguição política, algo que ressoa fortemente entre seus apoiadores e que tem sido uma tática recorrente no bolsonarismo.
Enquanto isso, Janja, em Manaus, aproveitou a oportunidade para responder de maneira calculada. Após um elogio do deputado federal Airton Faleiro, que ressaltou a importância de sua atuação como primeira-dama, Janja interveio com a frase que poderia ser interpretada como um recado direto a Michelle.
O aplauso imediato do público reforçou a ideia de que a atuação das primeiras-damas no Brasil está se transformando em uma arena de disputas políticas, muito além de suas tradicionais funções sociais.
O contexto atual demonstra como as primeiras-damas estão ganhando um papel mais ativo e influente na política brasileira. Se antes suas ações eram limitadas a agendas sociais, hoje, tanto Michelle quanto Janja estão envolvidas em debates políticos diretos.
Enquanto Michelle se destacou como uma das principais vozes da oposição, Janja tem se mostrado uma figura constante em diálogos com diferentes segmentos da sociedade, promovendo discussões sobre inclusão e diversidade.
O embate entre as duas figuras reflete uma polarização crescente que permeia não apenas suas atuações, mas também a opinião pública. De um lado, Michelle busca mobilizar a base conservadora, utilizando um tom mais combativo; do outro, Janja prefere uma abordagem mais sutil, focando em agendas que promovem a inclusão social.
Essa dinâmica, acompanhada pela intensa cobertura midiática, promete manter ambas as figuras no centro do debate político até as próximas eleições em 2026, sinalizando que as primeiras-damas estão se tornando protagonistas de uma narrativa política que nunca foi tão estratégica.